Quem nunca ouviu falar da lenda da Caipora… Caipora, aquele que andava pelas matas e fazendas pregando suas peças. Reza a lenda que o caipora anda pelos pastos embaraçando as crinas dos cavalos… E alguns destes cavalos ficam loucos após terem as crinas embaraçadas pelo caipora.
Mas você sabia que na verdade, embaraçar a crina dos cavalos é um hábito dos morcegos “vampiros”, que se alimentam de sangue dos animais?
E a loucura dos animais, após a traquinagem do suposto caipora, nada mais são que sintomas da raiva: já que os morcegos podem transmitir o vírus da raiva. Se contaminados com o vírus da raiva os morcegos podem ter este agente, presente na sua saliva. Aí, quando mordem os cavalos, fazem a transmissão do vírus, que passam durante a sua alimentação, através da mordida.
A raiva é uma doença grave e letal, que pode atingir todos os mamíferos, inclusive o ser humano. É uma zoonose de grande relevância para a saúde pública.
Nos equinos, os sinais clínicos incluem mudanças de comportamento, inquietação, agressividade, dificuldade de locomoção/paralisia e, posteriormente, a morte do animal.
Como não há tratamento, a prevenção é fundamental. Sendo essencial manter ações de vigilância epidemiológica e a vacinação anual dos animais. Outra medida importante é o controle dos morcegos transmissores, medidas que são fundamentais para reduzir a ocorrência da doença.
Em casos suspeitos de raiva em equinos, o proprietário deve entrar imediatamente em contato com o Instituto Mineiro de Agropecuária ou com um médico-veterinário de confiança.
A notificação da doença é obrigatória. E deve-se fazer a coleta de materiais e envio para os laboratórios oficiais para a confirmação da doença e o reforço da vacinação nas regiões onde ocorrem os casos. E os profissionais capacitados para a coleta do material para o exame da raiva são os médicos veterinários.
Então, caso percebam alguma alteração no comportamento do seu animal, entre em contato com um veterinário de sua confiança… E lembre-se não é só o Caipora que podem deixar os cavalos loucos…
Esse texto foi produzido por Stéffany Luciene Alves, estudante de medicina veterinária da UFMG.
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