É desejável que os animais estejam enumerados, saudáveis, ativos e em local limpo com acesso a sombra.
O bezerro, ao nascer, possui uma baixa reserva energética, devido à baixa gordura corporal. A ingestão de colostro logo nas primeiras horas de vida é fundamental, sendo recomendado que ele absorva o colostro 6 horas após o nascimento. O colostro apresenta composição de aproximadamente 6% de gordura e 14% de proteína, sendo rico em imunoglobulinas, o que garante a imunidade inicial essencial para a sobrevivência do recém-nascido.

A vaca tem gestação de 274 dias de duração média, podendo ter margem de 9 dias a mais ou a menos nesse ciclo. Após o parto, a vaca produz leite por cerca de 10 meses e o ciclo reprodutivo costuma envolver um novo período de gestação de aproximadamente 90 dias após o parto. Depois de cerca de 7 meses de lactação, é retirado todo o leite da vaca por volta de 30 dias antes do próximo parto, permitindo o início de um novo ciclo. A vaca, instintivamente, se afasta do grupo no momento do parto.
A vaca dedica em média 10 horas diárias à ruminação. Enfatizamos a importância da avaliação macro e micro do manejo, considerando o conteúdo da alimentação disponível, sua qualidade, seu processamento correto, seu acesso, o fornecimento de água limpa, as condições do cocho, do solo e de sombra, higiene geral, atividade e comportamento dos animais, além de aspectos fisiológicos como rúmen e úbere cheios.
Também podemos falar sobre o score corporal, avaliado visualmente pela região do íleo e ísquio, formando a imagem em “U”. Um score corporal adequado é fundamental, pois valores muito altos indicam excesso de gordura, o que pode reduzir o consumo de matéria seca e aumentar a mobilização de reservas corporais. Valores muito baixos indicam deficiências energéticas. A reserva de gordura também varia conforme a raça, sendo menor em raças europeias devido à menor deposição de gordura subcutânea.
Discutimos sobre alterações metabólicas comuns no período de gestação. O edema de úbere, por exemplo, ocorre pela maior irrigação sanguínea da glândula mamária, aumentando a pressão hidrostática, situação que ocorre mais em vacas que estão parindo pela primeira vez, cujo tecido mamário ainda está em desenvolvimento.
Outro ponto observado é a hipocalcemia, que ocorre porque, no início da lactação, a vaca pode chegar a secretar para o bezerro até seis vezes a quantidade de cálcio que possui circulante no corpo. O cálculo feito foi considerando que o sangue da vaca representa cerca de 8% do peso corporal (aproximadamente 48 L em uma vaca adulta de 600kg), contendo 8,5 mg/dL de cálcio (cerca de 3,8 g no total), a mobilização intensa desse mineral pode levar a sinais clínicos como fraqueza muscular e tremores.
Também podemos comentar sobre a cetose, consequência da mobilização de triglicerídeos para obter energia, nesse processo, os triglicerídeos armazenados no tecido adiposo sofrem lipólise, liberando glicerol e ácidos graxos livres. O glicerol é utilizado na gliconeogênese, enquanto os ácidos graxos passam por beta-oxidação no fígado, gerando acetil-CoA. Quando há deficiência de oxaloacetato (derivado da glicose) para manter o Ciclo de Krebs, o fígado não consegue metabolizar tudo e há excesso de acetil-CoA, provocando maior formação de corpos cetônicos, como acetona e acetoacetato, que vão para o sangue, formando o quadro clínico de cetose, que é intensificado quando o consumo alimentar não supre a alta demanda energética do pós-parto.
Outro aspecto que podemos observar é a influência do estresse térmico, caracterizado por vacas que permanecem muito tempo em pé e no sol. Esse quadro eleva a liberação de cortisol, direcionando o fluxo sanguíneo para a pele a fim de dissipar calor, o que reduz o fornecimento de sangue na glândula mamária e prejudica a produção de leite. Além disso, o cortisol também tem papel no desencadeamento do parto, já que o feto, sob estresse pela necessidade de respirar, libera o cortisol e contribui para a sinalização hormonal que resulta no parto.
Por fim, foi destacado que o período crítico de uma vaca de transição compreende os 21 dias antes até os 21 dias após o parto, sendo o momento de maior desafio metabólico para a vaca. Nesse tempo, é necessário garantir a oferta alimentar correta para prevenir distúrbios metabólicos e garantir boa produtividade.
Esse texto foi produzido por Luíza Perdigão, estudante de Medicina Veterinária da UFMG.
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